Perdoa
as esperas nos desvãos
emaranhados de omissão
cabelos crespos
o tempo
perdoa
o vazio
as ausencias de abraços
nas mesas de aniversário
nas noite ainda frias
de um inverno perdido
na memória
perdoa
a configuração etílica
evanescente
evaporante
de que me servi
para ir e nunca mais voltar
sem bilhete de adeus
na asa cálida do vento norte
perdoa
as nuvens
sobre o sol de verão
e o mar de solidão
derrubando teus frágeis castelos de areia
perdoa as imcompletudes da alma
meu corpo terminal
perdoa
a palavra
vibração azul
na garganta
que sai em verdes jorros
do alto da minha cabeça
nem reconheço
magnífica selvagem
violenta incontrolável
perdoa
por abandonar
a luz dos teus olhos
sem conduzir
minhas mãos
nas tuas pequeninas mãos
de concha marinha
firmes num caminho
que jamais trilharemos
perdoa-me
perdoa-te
vamos viver a paz
te amo
prá sempre
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