quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Nosferatu

Mesmo tipo 
de orfandade
mesmo mal
curare
na ponta da flexa
alvejados
Eros alivia
e amaldiçoa
sacia
beijo no pescoço
suor
teu dedo
passeia 
errante
pelas veias
da minha mão
minha boca
não só
prá falar 
ou beijar
nós perdidos nessa noite
a benção
os sinos 
a feira
uma cidade estrangeira?
minha música
me desnuda
me serve
eu danço só
pelas ruas
delícia
Amor, Lua,
eu,
Nosferatu


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Talismã (réquiem para um rei morto)

Madeira
lenha
carvão
fogo
desejo
encanto
paixão
madeira 
tábua
construção
templo
cadeira mesa
chão
madeira
musical
flauta
violão
transmutar
tristeza
em outra emoção
entusiasmo
madeira
talismã
sagrado
teu afã

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Anjelina

Agora
sem consciencia
caído
no chão da rua
da grande maçã
teus belos olhos 
azuis fechados
procuram os sinais
da luz dos faróis
andas perdida
pulas do palco
desesperada
cálida e só
blue angel
carne espectro
velho gárgula
alucinação e neblina
danças estranhas
circulares
em volta do fogo
agora
caído
no chão da rua
da grande cidade
do norte
inconsciente
me devoras
carmim 
sangue fresco 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Cadê?

Não estou lá
na mesquinha permuta da hipocrisia cotidiana
na disputa de méritos vãos e belezas necrófilas
não
não estou lá
nas palavras calculadas e frias 
dignas de uma latrina cheia de vermes
não estou lá
no medo da entrega criativa e libertária
na recusa da tua boca e vulva

não estou lá 
no toma lá 
dá cá
dos favores escusos
dos falsos e medianos
na festa de formatura do inepto
na celebração dos perversos
na vitória dos incapazes
no perpétuo moto contínuo 
ignóbil e podre
estou pronto:
Shiva que dance!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Sabor

Me toma 
me invade
domina
queima
de repente
é paz
ligeira
urgente
ágil
audaz
o amor se faz
azul
branco
lilás
verde
mel

Yèmanjá

De ouro
prata
rubis 
esmeraldas
lápis-lázuli
o mais precioso
a intuição
os cristais
da paixão
os veios submersos
percebe
a estrela
no fundo 
no mar
tesouros
jóias
diamantes
em baús
em nuvens
de beijos
de amor
tempestades
revolvem
as areias
profundo
mar 
mergulha
abre-te
recebe-me 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Lumina

Quero
a luz
teu sorriso
ilumina
o escuro
do quarto
crescente
no céu
das bocas
quero
a cor 
do som
dos teus dedos 
devagar
quero
o tempo
inteiro
sou 
ainda teu
intenso
verdade
secreta
desvela
revela
teus seios 
nas minhas mãos

Godess Birth

Lei
atração natural
dos corpos
fugaz
encontro casual
dos astros
quadrante
instante
olhar
milhões
de éons
ilusões?
brota 
leite da Oxum
do decote da tua blusa
do bojo 
daquele teu biquini branco
saístes d'água
Vênus
macia e doce
leito da lagoa
foto de um verão
minha inspiração

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Ana no espelho

Um dia me ví
refletido no fundo
no espelho cristalino
fulgurante
das águas verdes
dos teus olhos
qual Narciso
mergulhei
em nós
como os poetas mais loucos
almirante dos sonhos
incendiário de frotas 
de naus fantasmas
pira eterna 
de amor sem fim
um dia 
deixei o medo
escorrer pelas fontes
banho 
de lágrimas e chuva
a beleza
do teu corpo
lavado de prazer
alma tocada  
pelas nossas línguas
um dia 
quis a que a saudade
morresse prá nós
e que, no futuro,
não víssemos 
quão efêmero
é o tempo
quando molhávamos nossas peles
no calor do nosso sonho
que acordados tecíamos
uma noite...
basta...
e tal cobra de vidro
espatifada em mil pedaços
só o grande amor 
vai juntar
voltei do espelho
prá te encontrar
teu nome: "Ilusão"

Templo

Nas florestas do Laos
ou nos jangais da Birmânia
Taj Mahal
Gizé
nas montanhas geladas do Nepal
as 4 direções
da rosa dos ventos
teu corpo
meu único templo
aura dos tempos 
sopra
teus lábios carmim
doce teu sexo úmido
aberto
templo que entro
encaixe perfeito
nos teus contornos 
teu cheiro enche
o vazio
chão da Lua
tua pele 
a luz
brilha prá mim
estrela 
revela-se
me conta 
Órion
tua voz sussurra
os mistérios da noite
aquilo que ainda não sabes 
sobre amar 
sentes e não consegues 
entender

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Miragens

Estrela
do céu de janeiro
onde estás?
te chamo:
Saudade
aqui da praia
procuro
agora
aonde me leva
a pura emoção
aqui da praia
vejo
agora a onda
me leva
em direção
acorde
dissonante
notas silêncios
calma e vibração
pulsa mais rápido
meu coração

Andarilho

Vem comigo
me leva pela mão
na rua encantada
sonhos reais
vai descobre teu rosto
quem és no espelho
luz e sombra 
vem junto
na melodia
dos beijos
na harmonia
no ritmo frenético
dos quadris
Cronos devora
ilusões
medos
desesperos
temores vãos
vem ser desejo
repouso
sou apenas o ar
que te protege e envolve
respiras
o futuro 
o eterno
solto a voz
sem direção
sigo teu 
passageiro