segunda-feira, 18 de abril de 2011

ménage

Deixei marcado um caminho
trilha sem volta
um traçado
da minha língua
teu corpo
coração despedaçado
deixei meu barco ancorado
meu corpo deixei profundo
verde azul mergulhado
abandonei a razão
coração desesperado
mensagem numa garrafa
prá nos sentir
resgatados
na beira da praia
esperei
o sol nos teus seios molhados
acordei sozinho
na ilha
em cima da pedra redonda
tucanos colibri rosado
começa meu novo dia
Lua cheia esperança
saliva raio prateado
morro  junto contigo 
prá renascer
no sagrado
cavalo solto no pasto
coração domesticado
pula a cancela feliz
livre do cadeado
aquilo que ia no peito
agora é tempo passado
amor que nunca termina
segue rumo transformado
amo agradecerei sempre
rendo-te homenagem
o tempo que amor te mira
verdade ser bem-amado
mil voltas que a Terra gira
meu mundo
transfigurado

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sol de Akhenaton

Respiro o doce hálito da tua boca
vejo a tua beleza todos os dias
quero sempre ouvir tua doce voz
como o vento
desejo que a vida renasça em mim
graças ao teu amor
dá-me o alento que rejuvenesce
o teu espírito
para que eu o colha
o receba e dele viva
chama por mim
até a eternidade
jamais deixarei de estar contigo
jamais deixarei de te responder

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Jardim das Delícias

Fomos caminhar
de mãos dadas
na tarde fria de sol
para semear o novo
o novo
plantar em nós
dois dias depois da chuva
que regou a terra
cama leito amanhã
o sonho veio primeiro
andar acreditar
ver
árvores flores capim
Plantamos amendoeiras
palmeiras frondosas
sombras
para os dias de calor
jacarandá  nobre imbuia
canela pau de cheiro
jaboticaba geléia
limoeiro suco sumo saliva
mamoeiro laranjeira damasco
sândalo mangueira cor
surreal desejo risadas
quando plantei pé de pizza
do lado, árvore de isqueiros
gargalhadas quando plantei bananeiras
e caí
juntinho do pé de pequi
rosa rubi orquídea
jasmim orvalhado neblina
lágrima doce de mel
salgueiro salso chorão paineira
petúnia cravo branco coqueiro
magnólia flor de maracujá
pessegueiro jaqueira figueira
goiabeira caquizeiro umbuzeiro
pitangueira amoreira cajá
raiz-fortes sabores
cafezal no sopé do morro
alfaces rentes do chão
pimenteira de mil suores
prá florescer teu amor
plantei pé de melodia
harmonia serena soar
pretensioso anseio
prá fazer despertar
o novo homem do solo
do colo da nova mulher
sussurro
beijo teu seio
uma canção de ninar
fazer dormir a criança
humanidade acordar
viver no jardim das delícias
plantar o silencio
na alma
colher paz que acalma
magia e meditação
juntos poderemos
tudo
universo na palma
da mão

terça-feira, 5 de abril de 2011

Ars

Beleza
conceito abstrato
musa volátil
fugaz
prazer
abundância
rio caudaloso
bêbado
desce o leito
para o mar

Imortal

Temos tempo 
nenhum a perder
me interessa
tua tez
gostosa risada
nudez preciosa
languidez ociosa
pairando no ar

cais estelar

coração
barco de quarto crescente
pequena moeda de prata
perdida prá sempre
no fundo do mar
invejosa
reflete luar

Mundo real 2

Creio no coração
sístole
diástole
digo te amo
porque meu sangue
bombeia
e respiro
falo e também
minto

Mundo real

Não me iludo
com sentimentos
não me engano com o amor
sei da atração magnética
dos corpos
e do medo do desconhecido

achados e perdidos



Perdeu-se algum medo
favor não devolver
perdeu-se todo egoísmo
quem encontrou use a bel prazer(solitário)
perdeu-se um par de amantes
favor entregar aos futuros consortes (ou sem sorte...)
perdi meus olhos nos teus
e foi prá sempre
perdi algumas chances de:
ficar em silencio; falar tudo de uma só vez;
falar só com meus olhos;
perdeu-se a personalidade
favor encontrar a verdade
nas mais variadas formas
em que ela se concretiza
perdeu-se um coração
ferido de mortal beleza
quem encontrar
devolva cheio de:
1. esperança
2. afeto sincero
3. coragem em demasia
4. muuuuuuito carinho
5. uma seta cravada e uma chama de paixão
maiores informações
caixa postal da poesia diária,
do cotidiano fora dos planos,
do inusitado amor incondicionável 
i

mil sóis (longe daqui)

Na luz dos teus olhos
espelho da alma
um dia me vi
na luz dos teus olhos
silencio e calma
as ondas do mar
um dia ouvi
a luz dos teus olhos
caminho sem volta
pegadas na areia
no vento sumi
na luz dos teus olhos
faróis nessa noite
de tempestade
na chuva escorri
na luz dos teus olhos
perdi as certezas
encontrei as belezas
da intuição
crianças brincando
na verde relva
infantes na selva
da criação
livre te vejo
nudez transparente
desejo ardente
de beijos sem fim
as mãos na tua pele
poemas palavras
que fogem de mim
a luz dos teus olhos
só a memória
espada cravada
no meu coração
agora no espelho
meus olhos
choram
lembram vitórias
do amanhã
na luz dos teus olhos
brilham mil sóis
em outras galáxias
longe daqui
na madrugada
quebro o espelho
fecho meus olhos

então te esqueci

Mapa do coração


Achar o mapa do coração

no meio da tragédia humana

encerrar o ciclo

dor épica

lenda tardia mito

colar os pedaços

da cobra de vidro

estilhaços cristais

Li ontem mensagens

no livro

secreto dos sonhos

páginas arrancadas

meus desejos

uma ilha no gelo

e a solidão

no azul do céu estrelado

no fundo do mar

do Ártico

pude ainda ouvir

a melodia longínqua

a canção

O mapa do coração

+ forte

Hoje quero
pretender encontrar
o jeito de não parar de amar
viver prá isso
e ser + forte
amor + forte que orgulho
não olho prá trás
aprendi
quanto mais
mergulho
em meus sentidos
em busca do eu profundo
encontro a razão
descubro
o amor é + forte que orgulho
agradeço aos silencios,
a solidão, aos mil sóis
suas explosões pontuais
atravessam o chão
deuses e deusas se amando
me mostram
o amor é + forte
que orgulho
pão nutrindo sabor
semente na terra molhada
brota e canta no tempo
como a cigarra arrebenta
de tanta LUZ
a língua produz
o prazer o gemido
sem pronunciar
qualquer som
me diz
o amor é + forte
que orgulho
a magia caminha na praia
nua e encantada
espera os beijos
rápidos do vento
que espalha a
música sagrada
das esferas
melodia suave:
Amor + forte
que o tempo e o vento
que o sol
a música, a razão e os sentidos
que o ouro do fundo do mar
que a solidão e os deuses
os silencios e os sons
Amor + forte
que o sofrer que a dor
que a morte

Vozes da Voz

Quem imaginas que realmente sou?
O amante insáciavel e sedutor?
O poeta sempre inspirado
projetado na solidão do futuro?
o viajante incansável
caminhante das trilhas
inóspitas do coração?
o discípulo fiel e abnegado
que enfim sobrepuja o Mestre?
o filósofo iluminado
iluminista brilhante e surpreendente?
o orador fluente inflamado e arrebatador?
Quem supões que exatamente sou?
o marido atencioso, vivaz e criativo,
disposto a sempre te ouvir?
o filho amantíssimo
dedicado e solícito?
o pai amoroso e gentil?
o criador, a criação e a criatura?
Sou estes e muitos mais
que ainda não nasceram
todos os que também já foram.
Sou encarnação, sopro e paixão,
o barro, água de moringa
e as mãos do moleiro
o bem sucedido, o fracassado e o mediano
penis vulva
útero e esperma
o sonhador o sonho e o despertar
o gozo, o sofrer,
transmutado e consciente
perdido, resgatado,
de volta ao começo
ao instante perfeito da criação
o mendigo o rei e o revolucionário
o fascista e o libertário
Sou aquele quem assina meu nome
com sangue, meu próprio sangue!
Quem pensas que és?

Heroes (just for one day)

Não tenho medo
de transpassar tua tristeza 
 com minha espada de luz  
entrar no teu corpo
                          flecha incendiária quente e certeira
inundar em jorros
lavar tua alma
dança sagrada
ondas salgadas
nas camas no cais
magma rocha
incandescente
resplandescente
ritos da terra
amor nuclear
conheço segredos
mistérios enfrento
preencho teus mundos
marés sem controle
femea lunar
sei onde estás:
cavalgas o tigre
noite estrelada
floresta fechada
sonhando acordada
gritando no ar
unhas cravadas
minhas costas sangradas
são minhas medalhas
algozes
heróis
 por um dia



Vitorioso

Descobri o segredo
revelei o mistério

nas entranhas da Esfinge
devorei e vomitei
os mil sóis
rasgados os véus de Maya
clareou a manhã
e a noite acabou
dentro do mar revolto
fugi a tempo de ver
o Monstro desabar
e sumir para sempre
majestosa e enigmática
nas dunas do Gizé
depois da Grande Tempestade
ecoa no deserto
sua invisibilidade
desnorteia os infiéis
conduz-me ao caminho 
Antiga Grécia
Dionísio me espera sorridente:

- Vem, filho querido, tuas risadas
são a Verdade e soarão altivas
para todo o sempre!
Gargalhadas estrondosas
atingem o peito
os ouvidos dos meus inimigos
dizimando-os
seus destinos escoam
como a areia das ampulhetas
Akhenaton renascido
beijará Neffertiti
com a benção de Tiy
Essa noite me perdoarás
faremos a nova História
no leito da Nova Ordem

Ad infinitum




Quais temores te assolam?
Quais perdas choras copiosa e intermitentemente
a irreparalidade?
Que mágoas buscas anestesiar
no vinho e no ópio?
Que culpas carregas
por não saberes
ou não conseguires amar?
Por que a indecisão e a inveja
te derrubam, insistentes, ao chão?
Que desesperos e iras cultivas
quais flores do mal?
Cobiça, Luxúria e Devassidão,
são tuas companheiras inseparáveis,
tuas esposas, amantes e concubinas?
Que contratos assinastes com sangue,
que agoras não consegues rasgar,
pois te julgavas mais brilhante que o destino?
Por que procuras lugares lúgubres,
se sabes que pertences a LUZ?
Rende teu corpo, tua vontade,
entrega tua alma, tua mente,
pula no desconhecido
AGORA!
Posto que arderás,
ad infinitum,
na chama perene da sabedoria,
no fogo eterno da consciencia,
na pira do auto-conhecimento!
VEM!

novo dia

Olha,
pressente essa LUZ,
tá amanhecendo,
a Lua vai sumindo,
desce ao berço do grande lago,
quer fugir do Sol, 
enquanto anseio
  pelos teus abraços...
Ah se eu pudesse entrar na tua vida
fazer flores e estrelas
eu conquistaria você
O satélite ilumina os
amores do agora
escrevo nas paredes do meu quarto
nesse hotel
teu nome secreto
desenho teu sexo
com carvão e giz
desço as escadas
desapareço
sem dizer tchau
as horas do sim passaram
a mesma boca que te fez gozar
guarda a saliva
e os dentes
Olha, apreende e vai
tatuada na pele
marcada na alma
outros momentos,
sem Sol, nem Lua,
onde o que brilha é.
Acordo só,
hoje o céu é mais azul.

Anima

                                 Respiração
meditação
alegria
elementos que preciso
para qualificar
um dia
nada espero
do infinito
além do Sagrado Prana
felicidade não vem de fora
encontro
momento raro
independente
se és ou não
por enquanto
essa chuva miúda
refresca alivia
vibração que contagia
mais de mil dimensões
por enquanto
esse Mundo gira
com esse eixo alterado
pensamento centrado
no instante a seguir
satisfaz no tempo-espaço
conspiração faço
misturo o que sinto
penso medito não minto
anima Verdade interna
sala da casa ou caverna
abraço beijo a mais bela
mulher que não conheci

colibri



Peguei carona na cauda

do cometa que passava

numa alegria graúda

da estrela que brilhava

vagando os olhos se perdem

no imenso céu azul

nos mil delírios que dizem:

-Estás perto de Istambul!

Aquela Lua amarela

pendurada tão sozinha

verso palavra ardida

no prato pimenta Rainha

tenho sede da tua boca

saudade que não vivi

sangue vinho que brota

das asas do colibri

maldição

Poesia
é oração

não é piada

prato quente na mesa
me serve
me sirvo dela
prá enlevar emoções
monstros pacificar
pão cotidiano sal
sabor do sol da manhã
poesia não é
comercial de tv
nem banner na internet
é peixe escapulido
das redes
pulando profundo verde
ofício maldito
por outrem
por ciúme inveja ou desprezo
desses não me compadeço
dedico-lhes verso medonho
estrondosa gargalhada
infeliz daquele que sonha
acorda e lembra de nada
Secreto proscrito erótico
doce quadrinha infantil
beijo na pele da brisa
carícia terna e sutil
Tagore Cervantes Goethe
Dante Baudelaire Lorca
fuzilado na Guerra Civil
Neruda Quintana Ovídio
Whitman Drummond Bocage
Vinícius Bandeira Ramil
constelação de palavras
paira o brilho sem fim
perfume no corpo das musas
rosas terra molhada
baunilha café jasmim
Poema rastilho de pólvora
á procura de explosão
detona processo onírico
maré lunar de vazão
odes cobrem as praias
grande desejo vão

 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sonho Azul

Vivo
sonho
voávamos devagar
por sobre as ruínas
na penumbra do velho teatro
uma melodia de brisas
nos levava
seu longo vestido azul
refletia os raios
prateados do luar
girávamos
em plena cumplicidade
silentes encantados
assustada
apertavas minha mão
excitada sorrias
meu fraque tremulava
qual flamula antes
da Grande Batalha Final
dávamos rasantes
acimas das cabeças
dos casais que indiferentes
dançavam valsas foxes tangos
herói invencível
pois estás comigo
moleque com brinquedo preferido
pousamos em frente à janela cintilante
delicadamente
acordei com o ronco do transito
ficaste de vestido
azul rutilante
nua
no meu sonho

Anos-luz

Meus pés
meus olhos
sumiram

sobrou só
meu sorriso

na cara da noite
as estrelas
giram ligeiro
no pano negro
da escuridão

certas palavras
eu calo
que é prá não
ver meu chorar

registro
minhas gargalhadas
no fino frio
do ar

Modi

Modi,
Modigliani
caro mio
cón passión
olhos cegos
brilho intenso
luz na tela
no corpo da estrela
manhã trazendo
a fama nas asas
dos anjos da sorte
noite fazendo farra
vinho sangue
uvas negras
safras imemoriais
teu nome
sussurro breve
último suspiro
nos lábios de quem
sempre te amará
com os tons e as cores
do hoje

Novo primeiro dia

O novo sol
entrando
pelos furos
do teto de zinco
da nossa casa
cristais objetos raros
quebrados na calçada
últimos instantes na madrugada

galo cantou
coração
bateu na janela
pão queijo
na sacola 
poesias amassadas
nos bolsos do casaco
ruas sem nome
teu corpo encantador:
_Amanhece, querida, te amo
eu volto já...