quinta-feira, 31 de março de 2011

chuva atômica

Mulheres nuas
se amam em fogo
vigiadas pela morte
eterna amante humana
ternamente amena
violenta explosão nuclear
o lobo dilacera o coelho
que morre de tanta tesão
rolando pelo campo verde 
manchando a vegetação
o fim do ciclo:
_ É agora!
Ouroboros
duas serpentes famintas
pavor ingênuo desejo
horror ansiado da presa
inevitável momento
da glória

rompimento dos reatores
inundando teu peito
jatos quentes espessos
já não há mais 
tempo

quarta-feira, 30 de março de 2011

Sonho de artista

Saio da plateia escura
na madrugada
no  velho teatro vazio
subo as escadas
devagar
para o palco
abro as cortinas da ribalta
e não existe proscenio
só muita luz
prata e brilhante
intensa ofuscante
mergulho nessa luz
que me abraça
e recebe...

acordo com o terceiro sinal
do início do espetáculo
percebo que sigo sonhando
e que dormia
na boca de cena