sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Perfume Divino

Iansã 
dança 
me enfeitiça 
me joga 
no meio da rua 
me encanta 
me lava 
com tua chuva 
mel
da tua irmã
Oxum
Crava as unhas 
nas minhas costas 
me vira a cabeça 
me embriaga 
com teu perfume 
Deusa-Mulher!
Me entrego honrado 
íntegro aos carinhos 
das tuas mãos 
e peitos e lábios!
e tudo que vivo hoje
tem sabor 
e sentido

Flores peregrinas

Poemas
são flores peregrinas
em rimas lágrimas
rolo de rir
lembro teus olhos
verde profundo
mergulho nos meus
flores voam
dos teus cabelos
livres
das encostas do montes
vento viração
deitada de costas na areia
dormes
vento disse:
_Não terás paz!
flor levada 
por outro Amor
correnteza forte
ondas de fogo
no Mar

Sinal

Música encanto no vento forte 
da estação 
som de dentro  
vento do norte
caverna gruta peito bombeia 
o coração
batem sentidos amortecidos 
vibram
os sinos 
catedrais templos sonhos coloridos gemidos amantes enroscados em seus destinos impermanentes
Sinal da entrada portal do novo dia luminoso  quente espera  olho sentinela esperto vê  passagem de nível íon solto 
outro spin
Quem 
me esperaria 
do outro lado?
E eu choro, choro, choro...

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Café?

Chega com os ventos 
da primavera 
me desnuda certeza vai ligeira flor caída na correnteza derrama cerveja na mesa e me beija sabor voracidade e calor
E a manhã descobre que o sol não veio que peguei teu seio e nem notaste 
o segredo que esqueci 
na gaveta esquerda do peito
Crua maneira pois genuína única acerta entre os olhos e a boca vermelha me suga devora o medo cura com desejo a ferida acorda querida sonho da razão
Grato me entrego aguardo refrega rolar contigo no chão graça compus partitura baião volúpia menina gira nos compassos lentos da melodia mudrás bailarina nua lança seus sortilégios 
Me vejo rindo sozinho vasculhando a memória recente as mãos incandescentes percorrem os caminhos que escondem teu/meu destino

Minha sina meu desespero meu tesão minha maldição escrevo nas paredes brancas com carvão o que sequer ousas pensar mas queres sem pestanejar




Palavra na boca mistério e veneno de víbora fruta madura explode nos dentes escorre jato perfumado suco

a dança das palavras
Doidos dementes malucos mas juntos aprendem na saliva nau a deriva náufragos perdidos na selva dos teus pelos
Mordo tua nuca e foi demais os encantos os dois animais querendo mais de uma noite que apenas virou outro dia
Hoje falo com as pontas dos dedos e persigo o cheiro no canto da sala da casa velha enquanto espias meus movimentos do teu posto imediato 
de visão




New sun

And I try no loose my mind and find a reason to say no but I just try and I can't forget your wet mouth suckin' my lips, baby...
I try to find a way to go today and say to the blowin' winds to dry my tear drops and my wings
I just try to get a new sense or nonsense but a sad smile shine on my face and your embrace is roundin' my soul, baby
And finally, a new sun, hot like your body, burns all around, now.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Sonho consolidado


Serei responsável 
por escolher
sair pela noite 
ouvindo jazz
ao teu lado
fazer conhecer meus desejos
te tocar com delicadeza 
e sair iluminado pelas ruas 
depois de beijar tuas mãos
conhecer a paz 
da tua elegante serenidade
e me inspirar
e pirar no piano 
enquanto te espero 
na usina da beira do rio
prá te abraçar

sexta-feira, 20 de março de 2015

Jardim da Galáxia

Passo 
lento
nalgum jardim
da galáxia
um que de 
Abaeté
o café preto
da esquina
e o suingue
do tráfego
um que de 
Laranjal
teu cheiro
sabor
de menina
invade a sala
um que de
Itapoã
atravessa a rua
assim vai
lenta
beira do rio
manhã
tardia 
de um último
verão
do planeta
que vai 
na valsa

terça-feira, 17 de março de 2015

Rugir

Ruge Leão, 
mata com teu som 
saudade que me devora, 
espanta a tristeza 
de não mais te ver, 
teu sorriso, tuas lágrimas,
Ruge Leão, 
põe prá correr 
o banzo da minha alma, 
do meu corpo, da minha aura!
Ruge Leão, 
rasga com tuas garras 
as ilusões, 
traz na tua boca 
o gosto do futuro, 
a Paz da Sabedoria! 
Ogunhê!
Ruge Leão, 
acalma fundo os desejos, 
dilacera os medos, 
mastiga a ansiedade, 
encharca com tua Coragem 
todo meu ser!
Ruge Leão, 
clareia as matas, 
traz noção exata, 
tamanho do meu sentir, 
nem Mar nem Céu, 
nem Infinito Galáxias,
além!
Ruge Leão, 
instiga Alegria, 
na direção da presa, 
seta cravada 
no alvo Razão!
Belo e atento, 
guerreiro e astuto, 
sacia, espalha 
PROVOCAÇÃO! 
Ogunhê!