sexta-feira, 19 de agosto de 2011

vanguarda

ferida aberta
pura sangre
revolucionária
arma quente nas mãos
poesia na boca
teu sexo úmido
entreaberto
as pernas
ponteiros do relógio
minha cabeça gira
entre nuvens de tinta azul
incendio, revoltas
povos, contracultura!
explosão de gargalhadas 
ironia e solidão
poder absoluto
baías desertas
banhos de mar
teu corpo nu
e teus seios túrgidos
ansiosos pelo meu silencio
língua de fogo
notícias nas páginas
das redes sociais
insurreição
clamor desejo
gritos de prazer
libertários
quem sabe?
meu novo
amor? 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

onda

enquanto voo com minhas asas nos pés
prá luminosa e melodiosa
nova oitava de luz...
chafurdas na lama
e danças nua e alegre
com teus escarpins brancos de verniz e fivela dourada
enquanto busco a corrente de ar quente
prá subir cantando...
cavalgas o javali dentuço e peludo...
fingindo sentir prazer entre as pernas... vazando pelas "lábias"...
enquanto escuto o precioso solo da trombeta 
halo jazzístico de um deus negro chamado Miles...
te contentas com manheiras populosas e famas instantaneas...
enquanto seco ao sol (que também te ilumina...) minhas cicatrizes reais...
passeias ingrata com teu novo brinquedo (de amor?)...
enquanto eu
vejo o fantasma que te tornaste
segues no teu mundinho estreito e desesperado
mas...
tudo muda e adeus velho mundo
onde moram as primeiras radiações do novo
incontroláveis como o fogo

indômito e gelado
como o vento sul

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Pérola

Desperto
ando com olhos
de louca paixão novidade

na beira do rio
amanhece
caminho felicidade

vejo teu corpo no céu
seio iluminado lua
pérola reluz
teus olhos
face rosada
nua

Porque sou assim tão
poeta?
Procurando nas tuas curvas
a saída,
palavra certa?

Marcada no coração
tatuagem colorida
liberdade ilusão
grande alma querida

telas tintas inspiradas
secam ao vento da noite
percepção delirada
corpos rolam no chão

Porque invejas
ó musa,
o brilho artificial,
se tens na tua pele clara
beleza, luz natural?


segunda-feira, 23 de maio de 2011

49

Sete cores do arco-íris
no céu de outono surgiu
duplo entre as nuvens
surpresa
e o que era sério se riu

sete rosas são brancas
sete letras do teu nome
sete palavras secretas
sete caminhos no chão

sete meninas amo
leito de sete rios
sete amores proclamo
sete mil desvairios

venci as sete montanhas
sete mares naveguei
sete raios brilhei
acordei do sétimo sono
os sete sonhos sonhei

seis
vem antes de sete
depois oito me espera
 DANI ADRIANA DIVA
antes de Silvia tem Vera

sete segundos tive
prá decidir
meu destino
sete minutos
teu beijo
teus olhos verdes
a sina

harmonia das sete notas
escritas nas linhas 
da vida
alegria múltipla
em sete
em sete mil repetida

sete milhões
de vezes
disse palavra sagrada
prece ardorosa te amo
terra virgem semeada

sete rotações do planeta
sete ventos soprados
sete vibrações positivas
sete chacras vibrados

sete dias
semana
sete desejos insanos
fui escravo sem rumo
me libertei
na tua cama

bilhete

encontrei
a porta prá rua
quero achar a saída
quero aplacar nossa dor
saí
não deixei bilhete
saí só
prá ver o mar
andei na areia
andei nas pedras
ando triste
mas vou passar
nas próximas horas
tudo passará
nada fiz de mal
só saí prá rua
voltei
prá te encontrar

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Shine razor

Palavra
navalha brilhante
na mão ansiosa e fria
do assassino audaz

Palavra
jóia preciosa e rara
oração nas bocas dos monges
nas noites luminosas de Lua
no alto do Himalaia

Palavra
lâmina afiada e ágil
corisco 
no chão molhado
nas pedras lavadas
das ruas desertas
da pequena vila

Palavra
bálsamo linimento
desperta meu cruel desejo
eterna sede teus beijos
 hálito de fruta madura
cigarros vinhos cafés

Palavra
 manhã daquele setembro
hoje não mais me lembro
memória que incendiou

Palavra
partilha de fé
acalma separa aparta
ponta de faca amolada
entra na carne tenra
tempo agora esvai
sangra a folha
virgem branca
em que tudo revele
mancha nódoa roxa
mordida na tua pele

Palavra
comanda meu corpo selvagem
semeia revolução
palma da mão
que tateia
encontra bico do seio
mamilo rosado e duro
ventre liso
nação

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Fatal

Cruza navega o quadrante
nauta errante vetorial
criogenico repouso
sonho dosado lento
progressivo
hidroponia alimento
dispersões verdes etéreas
nas névoas
de poeira estelar
velocidade e rota constantes
combustível frio
imortal
milhões de anos-luz
distante ponto
referencial
fuga
intergalática
ousado destino fatal
sem retorno
olhar perdido encantado
chuva de meteoros
brilho
incadescente
metal

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Dândi cínico

Elegancia
voce dormindo
sem calcinha
a cabeça
entre os travesseiros brancos
elegante
eu ouvindo
Duran Duran
na MTV
teus cabelos molhados
espalhados e mortos
entupindo
o ralo do chuveiro
e as imagens passando
rápidas
gemidos
desabamentos
argumentos parlamentares
e o odor noturno
da tua xoxotinha rosada

Wild thing

minha sereia
pele cor de areia
da praia
onde vou deitar
sol clareia
sempre
leoa estrelas
correm os dias
saudade
os ventos
não passas
luz
mel beleza
no olhar
vou comer
com selvagem paladar

Último gole (saideira)

Saio no fim da noite
sempre bêbado do bar
queimando o filme
perdendo a chance
de bons momentos
mais sóbrios
com alguém
menos complicado
que eu
no fim da noite
depois de várias doses


entre vodkas, loiras e gin,
morenas, conhaques e ruivas,
cerveja, uísques, mulatas,
quebro as taças
prá mais ninguém
beber assim

Salvador


muitos carnavais

muitas carnes vãs

muitos cães no cais

muita sugestão

muitas vão pular

muitos vão atrás

muitos vão chorar

muitas gargalharão

muita palavrinha

muito palavrão

muita raiva contida

muito fundo de razão

paixão
paixão
 paixão

segunda-feira, 18 de abril de 2011

ménage

Deixei marcado um caminho
trilha sem volta
um traçado
da minha língua
teu corpo
coração despedaçado
deixei meu barco ancorado
meu corpo deixei profundo
verde azul mergulhado
abandonei a razão
coração desesperado
mensagem numa garrafa
prá nos sentir
resgatados
na beira da praia
esperei
o sol nos teus seios molhados
acordei sozinho
na ilha
em cima da pedra redonda
tucanos colibri rosado
começa meu novo dia
Lua cheia esperança
saliva raio prateado
morro  junto contigo 
prá renascer
no sagrado
cavalo solto no pasto
coração domesticado
pula a cancela feliz
livre do cadeado
aquilo que ia no peito
agora é tempo passado
amor que nunca termina
segue rumo transformado
amo agradecerei sempre
rendo-te homenagem
o tempo que amor te mira
verdade ser bem-amado
mil voltas que a Terra gira
meu mundo
transfigurado

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sol de Akhenaton

Respiro o doce hálito da tua boca
vejo a tua beleza todos os dias
quero sempre ouvir tua doce voz
como o vento
desejo que a vida renasça em mim
graças ao teu amor
dá-me o alento que rejuvenesce
o teu espírito
para que eu o colha
o receba e dele viva
chama por mim
até a eternidade
jamais deixarei de estar contigo
jamais deixarei de te responder

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Jardim das Delícias

Fomos caminhar
de mãos dadas
na tarde fria de sol
para semear o novo
o novo
plantar em nós
dois dias depois da chuva
que regou a terra
cama leito amanhã
o sonho veio primeiro
andar acreditar
ver
árvores flores capim
Plantamos amendoeiras
palmeiras frondosas
sombras
para os dias de calor
jacarandá  nobre imbuia
canela pau de cheiro
jaboticaba geléia
limoeiro suco sumo saliva
mamoeiro laranjeira damasco
sândalo mangueira cor
surreal desejo risadas
quando plantei pé de pizza
do lado, árvore de isqueiros
gargalhadas quando plantei bananeiras
e caí
juntinho do pé de pequi
rosa rubi orquídea
jasmim orvalhado neblina
lágrima doce de mel
salgueiro salso chorão paineira
petúnia cravo branco coqueiro
magnólia flor de maracujá
pessegueiro jaqueira figueira
goiabeira caquizeiro umbuzeiro
pitangueira amoreira cajá
raiz-fortes sabores
cafezal no sopé do morro
alfaces rentes do chão
pimenteira de mil suores
prá florescer teu amor
plantei pé de melodia
harmonia serena soar
pretensioso anseio
prá fazer despertar
o novo homem do solo
do colo da nova mulher
sussurro
beijo teu seio
uma canção de ninar
fazer dormir a criança
humanidade acordar
viver no jardim das delícias
plantar o silencio
na alma
colher paz que acalma
magia e meditação
juntos poderemos
tudo
universo na palma
da mão

terça-feira, 5 de abril de 2011

Ars

Beleza
conceito abstrato
musa volátil
fugaz
prazer
abundância
rio caudaloso
bêbado
desce o leito
para o mar

Imortal

Temos tempo 
nenhum a perder
me interessa
tua tez
gostosa risada
nudez preciosa
languidez ociosa
pairando no ar

cais estelar

coração
barco de quarto crescente
pequena moeda de prata
perdida prá sempre
no fundo do mar
invejosa
reflete luar

Mundo real 2

Creio no coração
sístole
diástole
digo te amo
porque meu sangue
bombeia
e respiro
falo e também
minto

Mundo real

Não me iludo
com sentimentos
não me engano com o amor
sei da atração magnética
dos corpos
e do medo do desconhecido

achados e perdidos



Perdeu-se algum medo
favor não devolver
perdeu-se todo egoísmo
quem encontrou use a bel prazer(solitário)
perdeu-se um par de amantes
favor entregar aos futuros consortes (ou sem sorte...)
perdi meus olhos nos teus
e foi prá sempre
perdi algumas chances de:
ficar em silencio; falar tudo de uma só vez;
falar só com meus olhos;
perdeu-se a personalidade
favor encontrar a verdade
nas mais variadas formas
em que ela se concretiza
perdeu-se um coração
ferido de mortal beleza
quem encontrar
devolva cheio de:
1. esperança
2. afeto sincero
3. coragem em demasia
4. muuuuuuito carinho
5. uma seta cravada e uma chama de paixão
maiores informações
caixa postal da poesia diária,
do cotidiano fora dos planos,
do inusitado amor incondicionável 
i

mil sóis (longe daqui)

Na luz dos teus olhos
espelho da alma
um dia me vi
na luz dos teus olhos
silencio e calma
as ondas do mar
um dia ouvi
a luz dos teus olhos
caminho sem volta
pegadas na areia
no vento sumi
na luz dos teus olhos
faróis nessa noite
de tempestade
na chuva escorri
na luz dos teus olhos
perdi as certezas
encontrei as belezas
da intuição
crianças brincando
na verde relva
infantes na selva
da criação
livre te vejo
nudez transparente
desejo ardente
de beijos sem fim
as mãos na tua pele
poemas palavras
que fogem de mim
a luz dos teus olhos
só a memória
espada cravada
no meu coração
agora no espelho
meus olhos
choram
lembram vitórias
do amanhã
na luz dos teus olhos
brilham mil sóis
em outras galáxias
longe daqui
na madrugada
quebro o espelho
fecho meus olhos

então te esqueci

Mapa do coração


Achar o mapa do coração

no meio da tragédia humana

encerrar o ciclo

dor épica

lenda tardia mito

colar os pedaços

da cobra de vidro

estilhaços cristais

Li ontem mensagens

no livro

secreto dos sonhos

páginas arrancadas

meus desejos

uma ilha no gelo

e a solidão

no azul do céu estrelado

no fundo do mar

do Ártico

pude ainda ouvir

a melodia longínqua

a canção

O mapa do coração

+ forte

Hoje quero
pretender encontrar
o jeito de não parar de amar
viver prá isso
e ser + forte
amor + forte que orgulho
não olho prá trás
aprendi
quanto mais
mergulho
em meus sentidos
em busca do eu profundo
encontro a razão
descubro
o amor é + forte que orgulho
agradeço aos silencios,
a solidão, aos mil sóis
suas explosões pontuais
atravessam o chão
deuses e deusas se amando
me mostram
o amor é + forte
que orgulho
pão nutrindo sabor
semente na terra molhada
brota e canta no tempo
como a cigarra arrebenta
de tanta LUZ
a língua produz
o prazer o gemido
sem pronunciar
qualquer som
me diz
o amor é + forte
que orgulho
a magia caminha na praia
nua e encantada
espera os beijos
rápidos do vento
que espalha a
música sagrada
das esferas
melodia suave:
Amor + forte
que o tempo e o vento
que o sol
a música, a razão e os sentidos
que o ouro do fundo do mar
que a solidão e os deuses
os silencios e os sons
Amor + forte
que o sofrer que a dor
que a morte