enquanto voo com minhas asas nos pés
prá luminosa e melodiosa
nova oitava de luz...
chafurdas na lama
e danças nua e alegre
com teus escarpins brancos de verniz e fivela dourada
enquanto busco a corrente de ar quente
prá subir cantando...
cavalgas o javali dentuço e peludo...
fingindo sentir prazer entre as pernas... vazando pelas "lábias"...
enquanto escuto o precioso solo da trombeta
halo jazzístico de um deus negro chamado Miles...
te contentas com manheiras populosas e famas instantaneas...
enquanto seco ao sol (que também te ilumina...) minhas cicatrizes reais...
passeias ingrata com teu novo brinquedo (de amor?)...
enquanto eu
vejo o fantasma que te tornaste
segues no teu mundinho estreito e desesperado
mas...
tudo muda e adeus velho mundo
onde moram as primeiras radiações do novo
incontroláveis como o fogo
indômito e gelado
como o vento sul
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