Num pé de vento
ligeiro
Saci
rasteira
Capoeira
Malta
Varre
Arrasta
Dor desespero
Mágoa
Espiral ascende
Incendeia
Fogo d'alma
Meu pé na rua
Desce a ladeira
Saciado
Gingado
pra te encontrar
ligeiro
Saci
rasteira
Capoeira
Malta
Varre
Arrasta
Dor desespero
Mágoa
Espiral ascende
Incendeia
Fogo d'alma
Meu pé na rua
Desce a ladeira
Saciado
Gingado
pra te encontrar
egípcio
vou
reencontrado
costurado
em pedaços
mãos
pernas
ouvidos
meus cabelos numa correnteza
nas margens
cria o perfeito corpo
OSÍRIS
apenas a tua miragem nua
lembrança vaga
ÍSIS
e os mamilos rijos
que aperto entre as falanges
vale de reis
me persegues
não mais fujo
vejo a esfinge que ri
dragando um sol escaldado
no verão eterno
do meu delírio
Graduo em emocionantes tensões
os momentos
cores do arco íris
infinitas notas musicais
tons semitons
mostro em muitas formas
e até disformas
expresso em cafés eternos
crio desenvolvo
personas diárias
no amanhecer
depois da dúvida
instantânea
de raios dissolventes
vejo nas lentes
revejo nas faces
e corpos amados
suados
incandescentes
sempre
indecentes
Doce imagem eterna
pedra esculpida
devoção
teus lábios negros
meu destino
pleno corpo
sonho lenda
paixão
tuas mãos
deusa
meu desejo puro
queda
glória
ascensão
muitas risadas
riqueza
valor
os anéis preciosos
os dedos finos
nas teclas do piano
e as notas no vento
e a noite
Rio do tempo
fosse caminho
sem volta
não é
velha risada
no ar gelado
procissão
rumo das águas
terra redonda
onde encontro
palavra certa
onde me encontro
na curva do tempo
na volta da terra
onde o rio faz correr
fluido próprio
onde me encontro
no eu
silencio
onde mora a luz
sol interior
consciente
onde leva o tempo?
que me permite
estar no agora
no sempre?
no caminho
sinto a liberdade
dos segundos
dos meus passos
onde mora a paz
conforta-me
ó liberdade
sou as dúvidas
retorcendo os códigos
distorcendo
verdades desveladas
e novos segredos
sou sonho
de divinas ironias
diversão iconoclasta
arranque meu coração
faz dele teu prato feito
coma com as mãos
aí vem o poder de cura
pimentas verdes
acalento mojo
me dá tua vida
tua boca vermelha
eterna língua de fogo
me abrasa
sigo inquieto
na calçada
noite beira mar
só
direção
sol nascente
uivo na tua janela
doido
doído
beijos perdidos
na pele
pálida lua cheia
apenas o agora
o certo e fugaz
minuto do sorrir
ou a gargalhada
que encherá meus dias
de sol a pino
quero entrar
fundo na poesia
talvez mergulho
abissal
meu sentir
fujo dos anzóis
arpões vorazes
redes do auto engano
tua boca morde
minha boca
desenha
farol na enseada
os giros de luz me guiam
ao continente mapa
naufrago no teu prazer
Sim
seremos aqueles
que sempre
trocarão um confortável ontem
por nuvens ainda que escuras
sim
seremos aqueles que nem dormem
mas sonham e dançam
frenéticos
por horas
ao deus silencio
no amanhecer
só para encarar
a face brilhante
da estrela bailarina
Sim
seremos aqueles audazes
intrépidos lutadores
de uma causa perdida qualquer
Sim
somos o que
e quem quisermos ser
ainda que
sombras se imponham
ameaçadoras
Por que temer?
Tenho e levo
na memória
luz dos teus olhos claros
turmalina cristalina
a me endoidecer
Vem dançar comigo
até o tempo
nos esquecer
Sim é a resposta
Abra devagar
Mostre
um segredo
Úmido
Uma ilusão
Que faça a magia
Me desarmar
Aí então...
Me jogue
No portal no chão na dúvida
Em pleno sol de verão
Guardei
Os estampidos
Os disparos
Entre as pétalas
De rosa vermelha
Acomodei
Com carinho
A luz elétrica do corisco
Nas dobras das folhas frescas
Dos lençóis de linho
Apaguei com destreza
Minhas pegadas
Sobre as ondas do mar
Descolei as pálpebras lisas
Das imagens polaróides
Coloridas bizarras
Da memória
E meu sangue verteu
No deserto
Para sempre
indígenas
Tropicalisminimalista
Nisto paro vejo
Na rede
Crio nada
Antropófaprotagonista
Noturno
devoro
virtualizo
Mutável
Porém
Um leão de fogo
Alado
Desfilando sua glória
Elegante
Desfiando miasmas
Fantasmas encharcados
Lavando com iodo e sal
Minha'lma
Ressignificada
Rasgando medos
Me pondo pra sonhar
O rito fulgurante
Presente
Num sopro
Sol me permita
Ser eremita
Embaixador
Orixá
Bailador
Todo Amor
Todo amador
As muitas setas
Me alvejam
Com doce veneno
Sonhos em cor
As estradas noturnas
Palavras duras
Aveludadas
Os caminhos de sol
Sigo crivado
De ideias
Melodias
Orla margeia
Olhar verde azul
Onda misterios
venho encontrar
Na linha tênue
que frequento
Andar trôpego
E um sabor
de dúvida
Cultivo
personas
Experimentos
Sorte? É ver o sol
que faz sua parte
na tua pele...
corro os riscos
entre a inconveniencia
E o fato inolvidável
da pura sedução.
Volto 100mil
MoasdoKatendê
Me matem
Volto 200mil Krenaks
Me matem
Volto 500mil Elzas
Me matem
Volto milhão
Chicosmendes
Na minha pele um sabor de sangue e chocolate
Volto todo dia
Na esquina
Revolto te beijo
No susto
um lampejo
Renasço no hoje
Agora meu lar