sexta-feira, 20 de março de 2015

Jardim da Galáxia

Passo 
lento
nalgum jardim
da galáxia
um que de 
Abaeté
o café preto
da esquina
e o suingue
do tráfego
um que de 
Laranjal
teu cheiro
sabor
de menina
invade a sala
um que de
Itapoã
atravessa a rua
assim vai
lenta
beira do rio
manhã
tardia 
de um último
verão
do planeta
que vai 
na valsa

terça-feira, 17 de março de 2015

Rugir

Ruge Leão, 
mata com teu som 
saudade que me devora, 
espanta a tristeza 
de não mais te ver, 
teu sorriso, tuas lágrimas,
Ruge Leão, 
põe prá correr 
o banzo da minha alma, 
do meu corpo, da minha aura!
Ruge Leão, 
rasga com tuas garras 
as ilusões, 
traz na tua boca 
o gosto do futuro, 
a Paz da Sabedoria! 
Ogunhê!
Ruge Leão, 
acalma fundo os desejos, 
dilacera os medos, 
mastiga a ansiedade, 
encharca com tua Coragem 
todo meu ser!
Ruge Leão, 
clareia as matas, 
traz noção exata, 
tamanho do meu sentir, 
nem Mar nem Céu, 
nem Infinito Galáxias,
além!
Ruge Leão, 
instiga Alegria, 
na direção da presa, 
seta cravada 
no alvo Razão!
Belo e atento, 
guerreiro e astuto, 
sacia, espalha 
PROVOCAÇÃO! 
Ogunhê!

segunda-feira, 16 de março de 2015

Pedra do desejo

Removo
a montanha
carinhos
pedra preciosa
da memória
da beira do mar
vento no oco
do peito
alvo
contínuo 
certeiro
setas 
raízes da história
estilo
ritmo
danças
agora no meu céu
no fogo eterno
conheço
meus sonhos
saliva
sal
desejo
desperto

onde

rosa 
na flor
essência
onde menos 
é mais
nos lábios
as mãos
se vier 
palavra 
suco
verso 
escrito 
na pele
quente
ponto
sensível
me ler 
na água
sutil
encanta
nada
esperar
silencio
rimos
vemos
tempo 
já não existe
passar