Palavra
navalha brilhante
na mão ansiosa e fria
do assassino audaz
Palavra
jóia preciosa e rara
oração nas bocas dos monges
nas noites luminosas de Lua
no alto do Himalaia
Palavra
lâmina afiada e ágil
corisco
no chão molhado
nas pedras lavadas
das ruas desertas
da pequena vila
Palavra
bálsamo linimento
desperta meu cruel desejo
eterna sede teus beijos
hálito de fruta madura
cigarros vinhos cafés
Palavra
manhã daquele setembro
hoje não mais me lembro
memória que incendiou
Palavra
partilha de fé
acalma separa aparta
ponta de faca amolada
entra na carne tenra
tempo agora esvai
sangra a folha
virgem branca
virgem branca
em que tudo revele
mancha nódoa roxa
mordida na tua pele
Palavra
comanda meu corpo selvagem
semeia revolução
palma da mão
que tateia
encontra bico do seio
mamilo rosado e duro
ventre liso
nação
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