quinta-feira, 19 de maio de 2011

Shine razor

Palavra
navalha brilhante
na mão ansiosa e fria
do assassino audaz

Palavra
jóia preciosa e rara
oração nas bocas dos monges
nas noites luminosas de Lua
no alto do Himalaia

Palavra
lâmina afiada e ágil
corisco 
no chão molhado
nas pedras lavadas
das ruas desertas
da pequena vila

Palavra
bálsamo linimento
desperta meu cruel desejo
eterna sede teus beijos
 hálito de fruta madura
cigarros vinhos cafés

Palavra
 manhã daquele setembro
hoje não mais me lembro
memória que incendiou

Palavra
partilha de fé
acalma separa aparta
ponta de faca amolada
entra na carne tenra
tempo agora esvai
sangra a folha
virgem branca
em que tudo revele
mancha nódoa roxa
mordida na tua pele

Palavra
comanda meu corpo selvagem
semeia revolução
palma da mão
que tateia
encontra bico do seio
mamilo rosado e duro
ventre liso
nação

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