refletido no fundo
no espelho cristalino
fulgurante
das águas verdes
dos teus olhos
qual Narciso
mergulhei
em nós
como os poetas mais loucos
almirante dos sonhos
incendiário de frotas
de naus fantasmas
pira eterna
de amor sem fim
um dia
deixei o medo
escorrer pelas fontes
banho
de lágrimas e chuva
a beleza
do teu corpo
lavado de prazer
alma tocada
pelas nossas línguas
um dia
quis a que a saudade
morresse prá nós
e que, no futuro,
não víssemos
quão efêmero
é o tempo
quando molhávamos nossas peles
no calor do nosso sonho
que acordados tecíamos
uma noite...
basta...
e tal cobra de vidro
espatifada em mil pedaços
só o grande amor
vai juntar
voltei do espelho
prá te encontrar
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