sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Ana no espelho

Um dia me ví
refletido no fundo
no espelho cristalino
fulgurante
das águas verdes
dos teus olhos
qual Narciso
mergulhei
em nós
como os poetas mais loucos
almirante dos sonhos
incendiário de frotas 
de naus fantasmas
pira eterna 
de amor sem fim
um dia 
deixei o medo
escorrer pelas fontes
banho 
de lágrimas e chuva
a beleza
do teu corpo
lavado de prazer
alma tocada  
pelas nossas línguas
um dia 
quis a que a saudade
morresse prá nós
e que, no futuro,
não víssemos 
quão efêmero
é o tempo
quando molhávamos nossas peles
no calor do nosso sonho
que acordados tecíamos
uma noite...
basta...
e tal cobra de vidro
espatifada em mil pedaços
só o grande amor 
vai juntar
voltei do espelho
prá te encontrar
teu nome: "Ilusão"

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